Aconteceu neste dia 27 de janeiro de 2003 a Oficina Segurança Alimentar e Povos e Comunidades Tradicionais, dentro da programação das Atividades Autogestionadas do Mundo da Segurança Alimento no FSM-Temático 2013.
O Ojuoba Richard Gomes fez fala especificando os conceitos de povos e comunidades tradicionais conforme a lei 6040 de 2007, a qual define-os como sendo “grupos cultualmente diferenciados, que se reconhecemcomo tais e possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para a sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, por meio de conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição.”
Esse conceito reconhece e potencializa a elaboração de políticas e ações públicas a comunidades como indígenas, quilombolas, terreiros, pescadores, ribeirinhos, ciganos, entre outros povos e comunidades tradicionais; isto cria um diferencial quanto a incoporação das pessoas em situação de rua como povos e comunidades tradicionais, como defendido e abordado no debate por Reinaldo Santos, atuante do Movimentod dos Moradores de Rua. Richard replica que no Rio Grande do Sul, a 5ª Conferência Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional definiu que tais políticas de segurança alimentar deverão para povos indígenas, quilomboas, e outros povos e comunidades tradicionais e pessoas em situação de rua; o que resguarda a concepção da lei 6.040/2007, e integra essas pessoas no seu Direito Humano a Alimentação. O debate a cerca das politicas públicas para os povos e comunidades se torna cada vez complexa visto a diversidade cultural e vivências tradicionais dos mesmos; não se pode moldar uma política determinada que seja igual para dos os povos reconhecidos, a flexibilidade é necessária; fundamentalmente a organização dessas populações e personificação jurídica das mesmas, a fim de que se possa obter uma identificação e garantir a responsabilidade socio-coletiva na absorção das ações.
Isto cria uma relevância quanto ao trato com as pessoas que vivem na rua. É necessário que estes estejam organizados para acessar as ações públicas. o que torna difícil, pois primeiro é necessário compreender por que estão em situação de rua, suas condições fisicas e mentais, de relações sociais, familiares, econômicas, culturais; se essa é uma opção pessoal de vivência. Somente a partir daí poderemos conceber ações que potencialize os moradores de rua como um segmento mais quantificável, para o investimento público.
O reconhecimento do Fórum Fome Zero como uma das organizações que tem mais contribuido, no RS, para a constituição de políticas públicas, pela sua experiência e constância na gestão da disribuição de alimentos, desde a o Movimento do Betinho.
Richard aborda a necessidade da sociedade civil, os controladores sociais, de aprofundar seus conhecimentos e analisarem as informações para tomar posição diante do que exige o SISAN e a Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. “É preciso mergulhar, tomar conhecimento acerca das políticas e ações que obtém investimentos públicos. O estado está mudado, hoje não é só executivo, legislativo e juduciário, tem também a sociedade civil, que através dos conselhos de controle social, fazem a gestão das políticas públicas. E se são políticas de estado, fazem a gestão do estado, ou co-gestão. Por isso se faz necessário o estudo, saber como funciona, quais os responsáveis, por que podia ser diferente.”
Em 2012, no Fórum Social Mundial Temático, há 12 meses, o Movimento dos Desassistidos pelas Políticas de Segurança Alimentar para Terreiros, liderados por Baba Xandeco de Xangô, fez uma denúncia sobre o desvio na políticas da Ação de Distribuição de Alimentos para Terreiros da Matriz Africana. Apoiado, o Movimento, por diversas organizações sociais, o caso foi levado ao Ministério Público. Cerca de 10 meses depois, a ordem do Ministério Público Federal, a SEPPIR_ Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, cria o Comitê Gestor da Ação de Distribuição de Alimentos para terreiros; mas o que é mais incrível, é que o Governo Federal,
Não há como ficar calado diante da injustiça,principalmente se ela é social. As fotos mostram a irresponsabilidade da organização apoiada pelo Governo Federal, através da SEPPIR, para distribuir a “cesta básica” aos terreiros. Inclusive pelo registro do lote é possivel averiguar a legitimidade das denuncias feitas a um ano e até então referendadas pelo Governo do Brasil.
Este fato nos remete a fazer uma avaliação de quão importante é o governo investir em uma política emergencial _ que é o caso da distribuição de cesta básica para terreiros e outros povos tradicionais_ e não potencializar programas estratégicos como o fomento a agricultura familiar através do PAA_ Programa de Aquisição de Alimentos e Distribuição Simultânea, e programas estruturantes como os dos Equipamentos Públicos de Segurança Alimentar e Nutricional.
Também nos aponta para à necessidade de proporcionar o avanço nas ações de fomento e estruturação para além da produção de alimentos, mas aliado estratégicamento com a agricultura familiar e os povos e comunidades tradicionais produtoras, no financiamento público da distribuição e comercialização desses produtos in natura e beneficiados, criando um corte no mercado e desenvolvendo uma ação consistente, sistemática, sustentável de destribuição com logística, gerqação de trabalho, renda e infraestrutura para as organizações que realizam a distribuição e controle social dessas ações nas cidades.
O evento foi coordenado pelo Fórum Fome Zero, na pessoa do senhor Reinaldo Santos, e teve a participação no debate da senhora presidenta do Fórum Fome Zero, Ana Aquino, da Sra Ermínia Duarte, da Cozinha Comunitária da Restinga, da Drª Marisa Lisboa, da ANVISA.
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